RISKCITY

A Cidade e o Risco

A sociedade global e hiper-conectada de hoje, enfrenta um conjunto de situações adversas para as quais, nem sempre, tem capacidade de resposta. Cada vez mais interligados, no que respeita às suas causas e efeitos, os riscos sociais, económicos, ambientais, tecnológicos ou geopolíticos, destacam-se pela sua imprevisibilidade, violência e impacto disruptivo, pelo que o seu estudo implica uma abordagem sistémica que permita compreender a complexidade dos fenómenos em causa. As alterações climáticas, a rápida degradação dos recursos naturais, as profundas transformações provocadas pelas novas tecnologias ou os colapsos financeiros, entre outros, constituem exemplos da incerteza e complexidade que caracterizam o momento atual.

As cidades como lugares de concentração populacional constituem, por um lado, os territórios onde os impactos destes riscos poderão ser mais severos e, por outro, espaços de oportunidade onde se poderão gerir ou testar modelos que evitem colapsos e promovam novos paradigmas de desenvolvimento. Verifica-se, também, que o grau de exposição ao risco não é sempre semelhante. Populações mais vulneráveis, do ponto de vista socioeconómico, como aquelas que habitam em contextos urbanos precários, onde os impactos de certos eventos disruptivos tendem a ser mais proeminentes, destacam-se cada vez mais como vítimas do risco; mas também, paradoxalmente, como possíveis agentes responsáveis pela sua gestão.

O risco, difícil de definir e de delimitar espacial e temporalmente, tem motivado um conjunto de esforços internacionais e agendas de cooperação com o objetivo de o mitigar ou eliminar. Observa-se, neste contexto, a progressiva evolução do modelo da cidade-sustentável para a cidade-resiliente cuja transição carece de uma discussão crítica mais alargada. Neste sentido, procuram-se reflexões de índole prática ou/e empírica que versem

  • Incerteza e complexidade na cidade contemporânea
  • Riscos urbanos, fragilidades e consequências
  • As agendas internacionais e as políticas públicas face ao risco
  • Protocolos de gestão de crises e catástrofes
  • Os paradigmas de desenvolvimento face ao risco
  • Poder, desigualdade social e risco
  • A inovação de base comunitária e/ou tecnológica face ao risco
  • Os movimentos sociais de contestação face ao risco
  • O planeamento urbano no contexto do risco
  • O risco no âmbito da produção de conhecimento
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